-Eu te
amo. – Dissera antes de partir. Mas não amava só com o coração. Seu
corpo por inteiro amava. Então só dizer que a amava não bastava para
expressar tamanho carinho e bem querer. A mão trêmula do primeiro
encontro transformou-se em um delicado e suave toque. Toque que por
diversas vezes perdeu-se por dentre as curvas perfeitas de sua amada e
reencontrava seu caminho em uma doce sensação de carinho. Mas isso já
era passado. Limitava-se a um rápido aceno de mão... triste. Um aceno
que dizia: "Eu te amo".
Havia
medo nesse amar, como em todos há de existir sempre que forem sinceros.
Mas... medos nos afligem, nos causam incertezas e nos fazem tremer
frios. E seu coração pulsava compulsivamente, já aflito de saudade mesmo
antes de dizer a última palavra de sua despedida. O retorno pra casa
era longo e penoso. Como podia permitir-se viver longe dela? Será que
suas palavras de hoje foram tão belas quanto as de seu primeiro encontro
quando mal falara? Ela voltaria? Eram tantas as incertezas que seu
coração parecia não mais bater... mas tremer. Frio, sozinho, com medo. E
seu “eu te amo” se transformava em um pedido de socorro.
Seria
possível amar tanto assim alguém que não podia retribuir? O vazio de
seu quarto e o silêncio da solidão repetiam todos os dias a mesma
pergunta. Mas a resposta já não importava mais. Talvez por medo, talvez
por certeza. A amava. No momento isso bastava-lhe para sentir-se um
homem. E em seu sono, talvez pela dor, talvez pelo prazer, Lilith vinha
lhe roubar um beijo toda noite. E toda noite ela voltava, desolada, ao
encontro de Morpheu, também desolado. Não havia mais beijos em sua boca.
Todos partiram em um suave “eu te amo”.
Quando
acordava, acordava sozinho. Caminhava na rua lotada de pessoas
apressadas para ir ao serviço, mas caminhava sozinho. Mesmo em sua
solidão, estava sozinho. Ouvia tantos bons dias que chegava a pensar que
não estava sozinho... mas era só. E em sua solidão, atormentado por
incertezas, medos e dúvidas, duas letras lhe surgem brilhantes na tela:
“Oi!” E nessas letras seu mundo se reconstruía instantaneamente. E nesse
mundo não havia solidão, nem medo, nem pavores nem nada ruim. Apenas
ele e ela. E então dizia seu primeiro Bom dia. Mas não era só um bom
dia. Era o seu “Eu te amo”.
G.M.
(Publicado originalmente em: Escrituras Greccorianas - Eu Te amo - 12/02/2008)
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