segunda-feira, 25 de maio de 2020

Ontem à Noite

O sentimento mudo persiste,
Insiste e resiste em não calar-se.
A voz não consegue evadir-se
Mas o sentimento precisa relutar

Um conflito intenso instala-se ali,
A luta por liberdade instaura-se em si.
A voz, que sempre obedece, cala
Diante da ordem implorada pelo sentimento

Calado, o conflito faz vítimas
Fere, corrói, duvida e dói
É a vingança silenciosa de um sentimento
É o sofrimento gritante de uma voz

Visão turva,
Joelhos prostram-se
Mãos cegam olhos
e a voz permanece inaudível

A boca grita o brado de liberdade
De um sentimento confinado à razão
Os dentes, rangendo, suprimem a voz
E aquele momento mistura-se ao passado

Você já foi... e não me ouviu.


G.M. 

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