(Da janela da minha classe)
A
vista da paisagem pronta transborda de solidão aquele que a observa.
Solidão companheira, que faz sentir-se só, porém acompanhado por aqueles
que a paisagem pronta observam. É certo que lá, na paisagem pronta,
muitos estão a brincar. São crianças, são pequenos... distantes. Estão
longe do olhar, como formiga que tomamos cuidado pra não pisar. Mas lá
estão. Na paisagem pronta, a serem observados por aqueles que para lá
estão a olhar.
As
formigas, crianças que lá estão, parecem livres. Tão satisfeitas. Tão
protegidas. Estão felizes com suas brincadeiras prontas, em lugares já
conhecidos. A paisagem pronta é sempre a mesma para quem a está a olhar.
As brincadeiras são sempre as mesmas. Os amigos não se renovam. Que bom
parece ser. Tudo tão fácil. Tudo tão óbvio. Tudo ali... pronto,
bastando só chegar e brincar. O limite da paisagem pronta transpõe-se
para a imaginação das crianças. Ali é seu mundo, sua imaginação. E lá,
nesse mundo, não há limites para o sonhar, para o criar. O que está além
é desconhecido. Não pode a imaginação limitar. Não pode a paisagem
apagar. Nem mesmo quem vê o além da paisagem pronta, não pode imaginar o
quanto é difícil ir até lá. Porque agora, que tudo está a sua visão,
que tudo está ali, fácil, agradável e simples, não há para que sonhar.
Basta admirar. Basta não passar os limites da paisagem pronta.
G.M.
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